Confesso que entendo o ponto de vista do cara, em que pese desconfiar que ele esteja defendendo a sua coleção de Ferraris e o imposto do seu castelo medieval, mas um pouco do que ele fala tem sentido. Ainda lembro como se fosse hoje a primeira vez que ouvi um disco do Pink Floyd: The Wall. O ritual de chegar a sua casa, abri-lo e colocá-lo no aparelho criou toda uma expectativa de alguém que está descobrindo algo que até então estava por se revelar. Sem falar na embalagem, com os encartes contendo as letras e ilustrações do desenhista do filme homônimo, originado pelo disco. Era tudo novo e estimulante. Havia uma aura mágica no ar, naquele instante.
Hoje, um adolescente entra num destes sites, escolhe a música que ele ouviu na rádio (não o disco inteiro do artista, pois a ele só interessa aquela determinada faixa), baixa o arquivo e ouve, enquanto navega pelas redes sociais e MSNs da vida virtual. Um leitor pragmático dirá: quem diabos se importa com essa história esotérica de aura mágica? Compreensível. Afinal, para quem não viveu este momento, parece algo sem sentido, quase piegas. Mas será à toa então que os LPS, mesmo após décadas do seu fim como produto industrial, esteja ainda presente em lojas, briques, sebos, e esteja, incrivelmente, sendo lançado teimosamente por algumas bandas, algumas delas de gerações posteriores à época dos românticos bolachões?
Não pense que sou um poço de saudosismo. Apesar de tudo o que narrei, sou a favor
Chegará o dia em que cada escritor terá seu blog e disponibilizará seus textos gratuitamente, ganhando a vida vendendo espaços nele para merchandising. Cada pintor ganhará apenas o direito de vender suas telas, mas caso expostas, serão de livre acesso a todos. A arte é o pão e a água da alma. Quem quiser resgatar aquela ‘’aura mágica’’ dos tempos idos, que vá a um brique e compre o seu bolachão.
O valor da música sempre estará nela própria, jamais em um fator externo. Portanto, Sr. Mason, pare de reclamar da vida. Vá polir suas Ferraris e brincar de rei em seu castelo medieval.

6 Beberam:
Que isso???? Vejo coragem, audácia, ousadia (e seus sinônimos) nesse post!!!! Acho que meus pensamentos e teorias de alguma forma influenciaram este texto (não?). Mudar, agregar, assimilar... está no âmago da inteligência, pois é a essência da evolução (e aqui não faço juízo de certo ou errado, apenas, diferente; capaz de mudar a si mesmo e rever seus próprios conceitos). Ser capaz de perceber que o modelo estabelecido não é necessariamente o certo (ou que exista tal modelo) é o ponto chave para entender as questões postas aqui. Grande post Marcelão.
Na verdade, creio que nos dias atuais, ainda seria difícil um escritor viver apenas de merchandising de um site. Já nas demais formas de arte me parece que esta revolução se faz já totalmente aplicável.
Não há como retroceder. O fluxo dos acontecimentos não permite que isso aconteça. O mundo conheceu o gosto da liberdade, e não admite mais deixar de sentí-lo. Em nada que seja.
Viva la revolución! Mááárcioooo!
Ah! Sem dúvida que nossas conversas me influenciaram bastante. Passei a refletir mais sobre este tema que me era um pouco distante, anteriormente.
Marcelo...
Esta postagem gera uma grande polêmica. Espero que a guerra entre a empresa fonográfica e a pirataria tenha um fim. Nem sou a favor da elitização mas tb não sou a favor da pirataria. A internet pode ser de grande valia se bem usada, pode até servir de livre acesso para as artes em geral e nisso concordo com vc. Também pode servir de garantia para as conquistas de direitos autorais. Que acredito que todo o autor merece receber créditos pela sua obra.
Gostei muito deste blog!
Andrea, de fato este é um tema que gera muita polêmica e discussão. A meu ver, ela reside não no direito que um artista tem de receber por sua obra, mas sim no quanto ele deve receber e como.
No Brasil o preço de um CD e/ou um livro é exorbitante, fazendo com que a cultura seja de difícil acesso à população. Isso interessa àqueles que procuram utilizar o povo como massa de manobra, pois um povo culto, não se deixa levar tão facilmente.
Um músico pode muito bem viver de seus shows e mesmo da venda de CDs, pois sempre haverá um grupo de fans disposto a comprar o trabalho original do artista (como este que vos fala, que compra tudo que é original do Pink Floyd).
Cabe ao meio artístico se adaptar aos novos tempos, pois este processo é irreversível.
Quando é colocado aqui "ser a favor da pirataria" não é uma posição contra o artista, mas contra a indústria. Não se poder aceitar que a indústria do entretenimento (milionária) determine o que é crime, ela que deve se adaptar para recompensar o artista. Hoje, a música, que deveria ser tratada como arte, é tratada como produto.
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